ALTERNATIVO ATEMPORAL
Andréa Amado (Noitibó)
Foram duas demos, a primeira lançada em novembro de 2001, chamada “A Mulher do Tempo” e a segunda, “O filme que deu origem à série” no ano seguinte. Seguindo assim o ciclo anual, em dezembro de 2003 a Noitibó lança o seu primeiro CD de onze músicas com regravações das duas demos e mais três canções inéditas denominado Este Lado para Cima lançado pelo selo carioca Ettorerock. Além disso, seus integrantes mantém uma revista eletrônica cultural a quase 2 anos chamada HUM, se envolvem com poesia, são estudantes de artes plásticas e confrontam-se assim diariamente com o ambiente imaginativo. Assim, a Noitibó continua o seu “descontínuo paradoxo, usando a autenticidade da mentira para fazer músicas verdadeiras”. Conversamos com a multimídia Andréa Amado, fundadora-compositora-designer e baterista da banda.
Como surgiu a banda?
A banda surgiu de outra banda que tínhamos inicialmente, chamada n.r.a., (devem existir umas 100 bandas com esse nome) que tinha um som meio pop-punk.
O que vocês estudam?
Eu e o Alex fazemos faculdade de Belas Artes na UFRJ, o Sidney vai tentar publicidade esse ano, mas ele tem curso superior de técnico de informática, se não me engano.
E qual o significado da palavra Noitibó?
Noitibó é uma palavra que achei no dicionário, estávamos de saco cheio de pensar em um nome pra banda, pensamos em colocar o nome de Ernest, agora não me lembro porque, mas era uma das opções. Estávamos de saco cheio e encontrei essa palavra no dicionário e achei interessante porque, além de ser desconhecida, também tinha um significado interessante, segundo o Dicionário Aurélio, Noitibó é um pássaro noturno ou uma pessoa pouco sociável, que só sai de noite.
Como é o processo de composição da banda?
É meio lento porque começamos todos tocando qualquer coisa nos ensaios. Se sair alguma coisa legal então guardamos, gravamos em um microfone ralé mesmo, depois o Alex tem a infeliz função de ter que juntar e ver o que presta ou não. Feito isso, voltamos para os ensaios e desenvolvemos a parte instrumental da música, depois ela volta pro Alex e ele faz uma letra para a música. Claro que a música vai ter que mudar novamente, então voltamos para o ensaio e fechamos ela com a letra. Isso é bem estranho, mas é assim que funciona. Pra você ter uma idéia, já gravamos várias músicas que não tinham letra e depois de gravadas o Alex faz a letra e eu tenho que cortar pedaços da música pra ela ficar redonda, isso aconteceu na última demo e no último CD também.
Qual a relação do Noitibó com o jornal Hum eletrônico?
Bom, são as mesmas pessoas que fazem (risos). Se eu te falar que não tem ligação nenhuma eu estarei mentindo, porque acho impossível, mas é claro que não podemos colocar uma resenha, uma matéria ou uma entrevista com a banda no jornal ou no site porque seria ridículo, mas usamos o espaço de publicidade às vezes como já fizemos duas promoções da banda e rola um banner no site também, mas é só isso.
Como vocês encaram a música?
Essa pergunta é profunda, eu passo... (risos)
Quais são as influências de cada integrante?
Eu acho que a palavra influência hoje em dia perdeu seu significado, as bandas sempre falam que são influenciadas por determinada banda e quando você vai escutar a música deles percebe que eles não foram influenciados, eles seguiram a cartilha, ou no bom e claro português, copiaram mesmo. Então sempre que me perguntam minhas influências eu fico meio “assim” porque se eu falar por exemplo que minha influência é Exaltasamba vão achar que eu faço axé music.
Fale sobre o movimento alternativo no Rio.
O underground no Rio, na minha opinião, está como em todos os lugares. Poucos espaços para se tocar, e quando tem, você dá de cara com aquele tipo de organização que te obriga a vender ingressos para tocar, o pior chegam sempre com aquele discurso de que aqui você não paga pra tocar, você só vende ingresso, como se não fosse a mesma coisa.
O rock é machista? Como é para uma mulher tocar bateria numa banda de rock no Rio de Janeiro?
Não, eu não acho o rock machista, pra falar a verdade quando você é mulher muita gente passa a mão na sua cabeça, sempre que termina um show vem alguém falar comigo, “nossa você toca muito, blá, blá, blá” e na verdade, não sou uma eximia baterista, toco o suficiente pra não estragar a música e tenho certeza de que se eu não fosse mulher não receberia esse tipo de elogio. As vezes chega alguém e fala: “pô quando te vi pensei logo, nossa uma mulher magrinha, não deve tocar nada, mas vi que você toca muito”. Bom se o cara chega e te fala isso é porque não é machista e sim preconceituoso por alguns minutos antes de começar o show, mas que durante o show ele mudou de opinião, então isso não é machismo, é só uma idéia pré concebida que ele tem na cabeça, mas o que na vida não é assim, a imagem tá ligada a tudo, se você vê um CD e um CD-r qual você vai querer? O CD é claro, sem você escutar o que tem dentro dele não vai saber qual é melhor e vai optar pela melhor imagem. Mas se você escutar os dois e ver que o CD-r tem músicas melhores você optar por ele, independente de ser um CD-r azulão de R$0,90 não é verdade?
'Este lado para cima' e o primeiro full-lenght da banda. Como foi a experiência de gravar em estúdio?
Nós não gravamos ele todo em estúdio, gravamos a bateria, o vocal e a guitarra base. O baixo, os backings, as guitarras firulas e os teclados foram gravados na casa do Alex, e depois eu fiz a mixagem na minha casa.
Sentiram-se satisfeitos com o resultado final?
Sim, é difícil você escutar um CD gravado metade em casa e metade em estúdio com esse resultado, não é um CD pasteurizado é claro, mas é muito bem audível, e o que importa é isso no final das contas.
Como tem sido a receptividade do trabalho?
Tem sido bem legal, agora começaram a sair as resenhas, inclusive a da Rocker Magazine e todas foram muito positivas, saiu uma matéria de página inteira no Jornal de São Gonçalo e vamos fazer uma mini turnê pelo sul em julho, o que vai ser muito bom.
'Este lado para cima' tem apenas três musicas inéditas. Por que optaram por regravar as musicas das demos?
Na verdade só regravamos as músicas da demo “O filme que deu origem à série” porque não gostávamos do resultado obtido naquela demo, já as músicas da demo “A mulher do tempo” nós resolvemos só mixar pois o som dela tinha mais punch por ter sido gravado em estúdio com fita ADAT.
Considerações finais.
Valeu pela oportunidade e longa vida ao site.
* por Eduardo de Souza
Foram duas demos, a primeira lançada em novembro de 2001, chamada “A Mulher do Tempo” e a segunda, “O filme que deu origem à série” no ano seguinte. Seguindo assim o ciclo anual, em dezembro de 2003 a Noitibó lança o seu primeiro CD de onze músicas com regravações das duas demos e mais três canções inéditas denominado Este Lado para Cima lançado pelo selo carioca Ettorerock. Além disso, seus integrantes mantém uma revista eletrônica cultural a quase 2 anos chamada HUM, se envolvem com poesia, são estudantes de artes plásticas e confrontam-se assim diariamente com o ambiente imaginativo. Assim, a Noitibó continua o seu “descontínuo paradoxo, usando a autenticidade da mentira para fazer músicas verdadeiras”. Conversamos com a multimídia Andréa Amado, fundadora-compositora-designer e baterista da banda.
Como surgiu a banda?
A banda surgiu de outra banda que tínhamos inicialmente, chamada n.r.a., (devem existir umas 100 bandas com esse nome) que tinha um som meio pop-punk.
O que vocês estudam?
Eu e o Alex fazemos faculdade de Belas Artes na UFRJ, o Sidney vai tentar publicidade esse ano, mas ele tem curso superior de técnico de informática, se não me engano.
E qual o significado da palavra Noitibó?
Noitibó é uma palavra que achei no dicionário, estávamos de saco cheio de pensar em um nome pra banda, pensamos em colocar o nome de Ernest, agora não me lembro porque, mas era uma das opções. Estávamos de saco cheio e encontrei essa palavra no dicionário e achei interessante porque, além de ser desconhecida, também tinha um significado interessante, segundo o Dicionário Aurélio, Noitibó é um pássaro noturno ou uma pessoa pouco sociável, que só sai de noite.
Como é o processo de composição da banda?
É meio lento porque começamos todos tocando qualquer coisa nos ensaios. Se sair alguma coisa legal então guardamos, gravamos em um microfone ralé mesmo, depois o Alex tem a infeliz função de ter que juntar e ver o que presta ou não. Feito isso, voltamos para os ensaios e desenvolvemos a parte instrumental da música, depois ela volta pro Alex e ele faz uma letra para a música. Claro que a música vai ter que mudar novamente, então voltamos para o ensaio e fechamos ela com a letra. Isso é bem estranho, mas é assim que funciona. Pra você ter uma idéia, já gravamos várias músicas que não tinham letra e depois de gravadas o Alex faz a letra e eu tenho que cortar pedaços da música pra ela ficar redonda, isso aconteceu na última demo e no último CD também.
Qual a relação do Noitibó com o jornal Hum eletrônico?
Bom, são as mesmas pessoas que fazem (risos). Se eu te falar que não tem ligação nenhuma eu estarei mentindo, porque acho impossível, mas é claro que não podemos colocar uma resenha, uma matéria ou uma entrevista com a banda no jornal ou no site porque seria ridículo, mas usamos o espaço de publicidade às vezes como já fizemos duas promoções da banda e rola um banner no site também, mas é só isso.
Como vocês encaram a música?
Essa pergunta é profunda, eu passo... (risos)
Quais são as influências de cada integrante?
Eu acho que a palavra influência hoje em dia perdeu seu significado, as bandas sempre falam que são influenciadas por determinada banda e quando você vai escutar a música deles percebe que eles não foram influenciados, eles seguiram a cartilha, ou no bom e claro português, copiaram mesmo. Então sempre que me perguntam minhas influências eu fico meio “assim” porque se eu falar por exemplo que minha influência é Exaltasamba vão achar que eu faço axé music.
Fale sobre o movimento alternativo no Rio.
O underground no Rio, na minha opinião, está como em todos os lugares. Poucos espaços para se tocar, e quando tem, você dá de cara com aquele tipo de organização que te obriga a vender ingressos para tocar, o pior chegam sempre com aquele discurso de que aqui você não paga pra tocar, você só vende ingresso, como se não fosse a mesma coisa.
O rock é machista? Como é para uma mulher tocar bateria numa banda de rock no Rio de Janeiro?
Não, eu não acho o rock machista, pra falar a verdade quando você é mulher muita gente passa a mão na sua cabeça, sempre que termina um show vem alguém falar comigo, “nossa você toca muito, blá, blá, blá” e na verdade, não sou uma eximia baterista, toco o suficiente pra não estragar a música e tenho certeza de que se eu não fosse mulher não receberia esse tipo de elogio. As vezes chega alguém e fala: “pô quando te vi pensei logo, nossa uma mulher magrinha, não deve tocar nada, mas vi que você toca muito”. Bom se o cara chega e te fala isso é porque não é machista e sim preconceituoso por alguns minutos antes de começar o show, mas que durante o show ele mudou de opinião, então isso não é machismo, é só uma idéia pré concebida que ele tem na cabeça, mas o que na vida não é assim, a imagem tá ligada a tudo, se você vê um CD e um CD-r qual você vai querer? O CD é claro, sem você escutar o que tem dentro dele não vai saber qual é melhor e vai optar pela melhor imagem. Mas se você escutar os dois e ver que o CD-r tem músicas melhores você optar por ele, independente de ser um CD-r azulão de R$0,90 não é verdade?
'Este lado para cima' e o primeiro full-lenght da banda. Como foi a experiência de gravar em estúdio?
Nós não gravamos ele todo em estúdio, gravamos a bateria, o vocal e a guitarra base. O baixo, os backings, as guitarras firulas e os teclados foram gravados na casa do Alex, e depois eu fiz a mixagem na minha casa.
Sentiram-se satisfeitos com o resultado final?
Sim, é difícil você escutar um CD gravado metade em casa e metade em estúdio com esse resultado, não é um CD pasteurizado é claro, mas é muito bem audível, e o que importa é isso no final das contas.
Como tem sido a receptividade do trabalho?
Tem sido bem legal, agora começaram a sair as resenhas, inclusive a da Rocker Magazine e todas foram muito positivas, saiu uma matéria de página inteira no Jornal de São Gonçalo e vamos fazer uma mini turnê pelo sul em julho, o que vai ser muito bom.
'Este lado para cima' tem apenas três musicas inéditas. Por que optaram por regravar as musicas das demos?
Na verdade só regravamos as músicas da demo “O filme que deu origem à série” porque não gostávamos do resultado obtido naquela demo, já as músicas da demo “A mulher do tempo” nós resolvemos só mixar pois o som dela tinha mais punch por ter sido gravado em estúdio com fita ADAT.
Considerações finais.
Valeu pela oportunidade e longa vida ao site.
* por Eduardo de Souza
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