Tragédia anunciada

Nostradamus previu o futuro em versos métricos decassílabos. Diz a lenda que ele pôde visualizar a história do mundo em uma bandeja d'água, depois descreveu suas visões de forma enigmática, gerando várias interpretações e estudos até os dias de hoje. No livro do Apocalipse, o apóstolo João profetizou o destino dos homens. Entretanto, alguns especialistas afirmam, que usando metáforas, João não se referia ao tempo vindouro, mas ao seu presente, e que o número da besta, 666, era simplesmente a representação numérica do nome de César Nero, o então Imperador Romano, eficiente perseguidor de cristãos. Premonição, previsões, profecia, isso é possível? Ou tudo não passa de uma simples coincidência?

No dia 10 de janeiro de 1996, ia às bancas a revista Isto é, na capa a banda de maior sucesso naquele tempo, os Mamonas Assassinas. Nada demais até aí, qualquer um pode dizer, afinal a banda havia vendido 1,8 milhões de cópias do seu disco de estréia, tornando-se o segundo maior fenômeno fonográfico do Brasil, perdendo apenas para o RPM com seus 2,2 milhões do "Radio Pirata Ao Vivo".

Inusitadamente, 11 anos após sua publicação, essa revista chegou até as minhas mãos, e ao ler a matéria, em especial duas chamadas, o texto pareceu alertar de maneira explícita sobre a tragédia que logo se abateria, de maneira muito mais explícita, que as previsões de Nostradamus ou do Apocalipse.

A capa avisava: "Mamonas Assassinas II: A missão de manter nas alturas o maior fenômeno musical brasileiro do momento". Não é engraçado? Uma expressão comumente utilizada ganha um ar de presságio - a missão de manter nas alturas  - e dois meses depois, no dia 02 de março, a banda desaparece, porque, aparentemente o avião no qual os Mamonas viajavam foi incapaz de se manter nas alturas. "Isn't it ironic, Dont you think?", diria Alanis Morissette.


Boca maldita

Essa alusão ao acidente que viria acontecer no futuro pode ser apenas uma interpretação da minha mente doentia, porém, no texto há outro trecho bastante estranho. Num box, a rainha-mãe do rock brasileiro, Rita Lee Jones, deseja "vida breve aos Mamonas". É o que está escrito: "Rita Lee desejou vida breve aos Mamonas". Sem comentários.


Os outros

Mãe Dinah afirmou que via um manto negro sobre a banda em suas previsões para o ano. No último show, em Brasília, ainda nos bastidores, Dinho ergueu um copo de refrigerante e disse: "Vamos comemorar, este vai ser nosso último show", se referindo ao final da turnê. E quando o show acabou, a banda bateu continência para o público, como se rendendo uma homenagem militar, coisa que nunca haviam feito anteriormente.  O tecladista dos Mamonas, Julio Rasec, também viu em sonho a tragédia, um dia antes do acidente, numa conversa gravada em vídeo: "Não sei... Esta noite sonhei com um negócio assim...parece que o avião caia... não sei".  Auto-sugestão? Destino?

A matéria da Isto é, como não poderia deixar de ser, dá ênfase ao vocalista Dinho, falando da sua irreverência e de sua vida antes do estrelato. Dinho nunca parava em nenhum emprego, trabalhou com políticos, tentou a vida de modelo, e acabou numa banda de rock. Fizeram 125 shows em seis meses. Dinho estava sempre se movendo, como se tivesse pressa para viver.

* por Eduardo de Souza 

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